segunda-feira, 19 de dezembro de 2005

Tinha tudo pra ser bom

Esse fim-de-semana tinha tudo para ser ótimo. Mas não foi.
Bom, na sexta à noite, fomos para a festa da empresa, e isso foi excelente. Muito legal mesmo. Até ganhei no boliche, incrível! Mas tudo bem, durou pouco. Depois fiquei em último lugar. Eu não sei mesmo jogar, então não me importo.
No sábado, acabei não vindo trabalhar, e isso foi muito bom. Acordei relativamente cedo, e meus pais me disseram que seria necessário que viajássemos com meu carro, pois o deles estava ruim. Íamos no domingo pela manhã. Às 8h30 da manhã, comecei a "operação viagem". Desocupei o porta-malas do meu carro, organizei as coisas em seus lugares, coloquei minhas roupas para lavar, guardei as coisas que estavam no porta-malas, vi água, óleo, enfim, deixei o carro prontinho para viajar. Só não o lavei, até mesmo porque íamos para um sítio, estrada de terra, achei que não valia a pena. Namorado me ligou e conseguiu me estressar, pelos motivos que só ele consegue, onde ele sempre é o bonzinho e eu a beneficiada que, por esse motivo, fico devendo ser eternamente grata à ele. Isso me irrita muito. Tivemos uma discussão, que fez com que nos atrasássemos, e não nos vimos antes da prova dele, na qual, aliás, diz ele que foi mal e não passou denovo. Meu Deus!
Tomei banho, me arrumei para o casamento, e descemos. Tudo estava bem até então. Chegamos atrasados, fomos para a festa, ficamos um pouco lá, comecei a me sentir muito mal. Um peso no peito, a garganta travada, rinite, ar condicionado, lugar abafado, essas coisas. Daí começou a doer meu ombro, e meu braço esquerdo. Começaram a doer de uma forma que pareciam ter 1000 quilos, e eu fiquei toda dura. Mal conseguia respirar, estava morrendo de dor, e mal conseguia mexer o braço. Insisti várias vezes com Namorado, até que viemos embora. Vim chorando de dor boa parte do caminho. Minha mãe me ligou, e eu disse a ela para colocar as coisas no meu carro, para irmos viajar. Ela deixou o alarme disparar, bloqueou o combustível, não conseguiu tirar o carro do lugar, e hoje de manhã vim perceber que, mais uma vez, parece que o alarme entrou em curto, e várias coisas elétricas do meu carro pararam de funcionar novamente. Quando cheguei em casa, começamos a arrumar as coisas, e eu brincando com todos, até a hora em que brinquei com meu pai. Enfim, para resumir a história, e não contar os detalhes altamente humilhantes, e que não quero chorar novamente, tivemos uma briga muito, muito feia, para vocês imaginarem, eu sou uma pessoa tontona, que perdoa tudo, sempre deixo os outros fazerem o que bem entendem comigo, e acabo sempre perdoando, esquecendo, deixando para lá. Para vocês imaginarem como foi feia a briga, eu sinceramente não considero mais que tenho um pai. O que ele fez, uma pessoa humana não faz. Ele é doente, e o máximo que posso dizer a seu respeito, é que ele não é normal, e precisa urgentemente de ajuda psiquiátrica. Ele realmente é doente. E eu quero parar por aqui. Estou pensando em várias coisas, estou pensando mais do que nunca em arrumar algum lugar para morar. Quero sair de lá. Não tenho paz e desde então não durmo direito.
Acabamos não indo viajar (evidente que ele não ia "se humilhar" de ir com meu carro, pois o dele estava quebrado, já que ele é o dono da casa, e que ninguém mais lá faz p... nenhuma, e ele sustenta TODOS, comida, bebida, roupa, transporte, escola, isso como se eu não trabalhasse e pagasse sozinha TODAS as minhas contas, e isso como se não fosse a minha MÃE que sustenta a casa e não ele, mas disso claro que ele não se lembrou). No Domingo, acordei meio dia, fiquei o dia inteirinho no meu quarto, o máximo que saí foi uns quinze minutos para fazer uma sopa, na hora do almoço, para eu comer, e depois para tomar banho e jantar, que aliás, fiz em horários que ele não estava lá. Eu realmente não estou afim de olhar para a cara dele, não sei qual será minha reação. Sei que não será de ódio, mas temo que seja de um desprezo tão grande, mas tão grande, que vá causar uma nova e pior briga. E, dessa vez, para o bem dos moradores daquela casa, que eu estava acostumada a pensar que era minha "família", mas a cada dia percebo que menos sei o significado disso, acho melhor não arriscar. Porque, se houver uma próxima vez, ele vai para a delegacia, e não vai sair de lá tão cedo, pode ter certeza. E isso abalaria tremendamente a minha mãe, então é melhor não mexer em ferida. Eu procuro um lugar para morar, vou embora, vai ser melhor para todo mundo, inclusive para mim, que não vou ficar louca, como ele deseja que eu fique. Ele não conseguirá me destruir, não conseguirá fazer comigo o que tenta fazer com minha mãe. Esquece. Eu não vou deixar. E sabe por quê? Porque eu não tenho nenhum sentimento cognitivo por ele. Eu não o amo, e também não o odeio. Para mim, ele não existe mais. É um zero à esquerda (e como pai, sempre foi), não faz a menor diferença na minha vida, e se morresse amanhã, a sensação seria apenas de alívio. Os 10 anos que ele passou ausente da minha vida, ele não fez falta, pois eu não conhecia o que era ter pai. E os outros 12 anos que ele passou dentro de casa, o que ele conseguiu foi fazer nossas vidas se tornarem verdadeiros infernos. Quem vai sentir falta "disso"?
Desculpem, mas hoje estou tremendamente triste.
Mas é só hoje. Não vou deixar que isso tome conta de mim, não vou deixar que ele estrague ainda mais a minha vida. Chega.


"...minha papoula da Índia, minha flor da Tailândia...
CHEGA! Vou mudar a minha vida!
Deixa o copo encher até a borda,
que eu quero um dia de sol
num copo d'água..."

Legião Urbana

4 comentários:

Márcia disse...

Paty, o Renato Russo era pra mim como um guru, o mestre dos mestres. Minha adolescência foi toda enfeitiçada pelas canções de várias bandas mas principalmente pela Legião... Tenhos quase todos os discos (em vinilzão mesmo) e alguns CD's... as letras que esse cara escrevia são demais, não são! Coincide muito com o que a gente tá passando, dependendo da música, da fase, parece que ele compôs pra gente, né? Salve Renato Russo, Salve Legião Urbana, forever in our hearts!!!! Te desejo um Natal com muito amor, alegria e paz. Seja feliz porque é isso que importa, ser feliz, de um jeito ou de outro!!! Toda felicidade do mundo pra vc e que em 2006 vc possa realizar pelo menos uma parte dos seus sonhos! Um beijão e um abraço bem forte!!!!

Olivia Guimarães disse...

Patricia, adoro o Renato e a Legião. Um dia no Supermercado aqui em Brasília eu fiquei do ladinho dele escolhendo o que comprar numa prateleira!!! Estava em choque e nem consegui falar com ele ;)
Quanto aos problemas com família isso é coisa que tira a gente do sério. Se tem alguma coisa boa nisso é que o tempo cura as feridas e é difícil se curar da falta de amor dos pais. Pelo menos do tipo e quantidade de amor que a gente quer ou queria.
" Tudo passa, tudo passará.
E nossa estória não estará pelo avesso
Assim, sem final feliz.
Teremos coisas bonitas para contar.

E até lá, vamos viver
Temos muito ainda por fazer.
Não olhe para trás
- Apenas começamos.

O mundo começa agora
- Apenas começamos."

Arte da Luluzinha disse...

Eu tbém gosto muito do Renato, tive o privilegio de ver um show dele ao vivo e de pertinho :D
Um ótimo final de semana.

alinedavila disse...

Olá ^^
bom, vc não me conhece... mas li por acaso esse seu post e me identifiquei muito com você... também tenho um "pai" igual o seu. Bem parecido...
e sinto o mesmo que você.
Sabe, eu sei como essas coisas são difíceis de engolir, mas sabe? Agradeça porque vc já tem um emprego e um carro... eu não tenho nada disso.. e portanto sou dependente dele. É much much much worse.
Espero que seha feliz, do fundo do meu coração. :*