segunda-feira, 3 de abril de 2006

Em doses homeopáticas

Já perceberam que, geralmente, tudo o que queremos e gostamos de fazer, temos de fazer em doses homeopáticas? Já o que não gostamos, o que fazemos por obrigação, as coisas ruins, vêm em doses cavalares.
Eu exemplifico: estou agora aqui, postando no meu blog, coisa que adoro fazer, num pequenino espaço de tempo que roubei a mim mesma, no meu restinho de almoço. Quando quero fazer algo, como rapidinho e corro para cá. Enquanto os outros ainda estão almoçando, eu posto, crocheto, tricoto, vejo os e-mails dos grupos de artesanato, faço alguma coisinha no PSP, vou desenvolvendo o novo template do meu blog (que nesse ritmo vai ficar pronto só em Dezembro!)... tudo tem de ser bem de pouquinho. Pouquinho tempo. E a vida vai passando, e para a gente mesmo, a gente só vai guardando os pouquinhos.
Em contrapartida, trabalho 8 horas por dia, dirijo por volta de 1h30 por dia, ando um pedação (pra gordinha qualquer metro é quilômetro) a pé do "estacionamento" à faculdade, vejo bicos quilométricos toda vez que chego em casa, sou maltratada e humilhada, agredida verbalmente (mas isso é outro post inteirinho, se deixar), se eu deixar, me estressam até não poder mais, morro de dor de estômago e de cabeça... nada disso pode ser em dose homeopática? Pouca dor de cabeça, pouco estresse, pouca preocupação, pouco trânsito, pouca gorduraaaaaaaaaaaaaa......
Fico pensando em como vou me sentir quando estiver com trinta anos. Vou olhar para trás e dizer: "há oito anos atrás, eu queria fazer tudo diferente. Eu queria ter tempo para me divertir, eu queria me dedicar mais às coisas que realmente ficam, eu queria abrir mão do estresse do dia-a-dia. Mas eu não fiz nada, continuei trabalhando no mesmo lugar, continuei morando na casa dos meus pais e tendo minha auto-estima e paz de espírito destruída pela minha família todos os dias, continuei sofrendo e achando que nasci para ser infeliz e para ter pouco na vida. Pouco de bom, e muito de ruim.
Pode ser que seja coisa minha, só, porque esses dias eu ando mesmo triste, impaciente e reclamona acerca de algumas coisas na minha vida. Queria poder mudar, fazer muitas coisas diferente do que são hoje. Queria sair da casa dos meus pais, queria morar sozinha. Queria trabalhar de segunda à sexta, das 9h às 18h, sem ninguém achando que é minha obrigação cancelar todo e qualquer compromisso para estar disponível quando a empresa precisa de mim. Queria poder dormir fora quando bem entendesse, e convidar à minha casa quem eu bem quisesse, quando eu bem quisesse. Queria poder comer bastante chocolate sem engordar muito.
É... quem sabe, com a terapia, alguma coisa melhore. Estou querendo que chegue logo a quinta-feira. Na quinta passada, com a psicóloga, senti-me muito tranquila e em paz. Essa semana, não tive dor de estômago, e só tive dor de cabeça uma vez. Só duas vezes fiquei nervosa a ponto de tremer de raiva.
Eu quero deixar de amar as pessoas que me fazem mal, e deixar de acreditar que um dia a atitude delas pode mudar. A esperança às vezes é ruim, faz com que a gente não perceba que não adianta ficar insistindo em alguma coisa que não dá certo, que não adianta ficar lutando por causa perdida. Desilusão.
Dizem que amor e ódio andam muito perto, não é? Eu gostava muito do meu pai. Quando eu tinha 3 anos. Depois disso, a cada dia mais da minha vida o odeio. Mas nunca tinha desejado nada de ruim para ele - até ontem. Sim, eu ficava pensando como a vida de todos nós iria melhorar se ele morresse. Mas jamais havia DESEJADO que isso acontecesse - até ontem. Não gostei do sentimento, e não quero voltar a sentí-lo - não porque possa fazer mal a ele, mas porque definitivamente faz mal a mim, e não, ele não vale a pena. Quero deixar de sentir raiva e ódio dele, mas não quero sentir desprezo. Eu quero aprender a anulá-lo da minha vida, e ser indiferente a ele.
Por favor, não me julguem. Eu não sou uma pessoa má. Eu não sinto ódio das pessoas por pouca coisa. Pelo contrário, elas têm de me fazer de palhaça por muito tempo, até que eu aprenda que não adianta o quanto eu as ame, elas sempre vão me fazer mal. Aí eu odeio. E quando me humilham, e pisam em mim, principalmente.
Sei que Deus sabe o que faz, e construiu esse lixo de família para mim por algum motivo. Talvez já esteja chegando a hora de eu me libertar da podridão, e respirar ares mais limpos. Pode ser por isso que me sinta com tanta falta de ar. Por isso que acorde tão cansada e desiludida da vida e do dia que está para começar. Por isso que levante e não consiga respirar fundo o ar fresco - porque só tem cheiro de lixo e podridão em volta.
Pronto, falei.
PS.: obrigada pelos comentários, doces e carinhosos, das meninas que sempre me visitam e deixam um olá. Vocês não imaginam como isso faz diferença para mim...

7 comentários:

Ana disse...

Calma... vais pensar que é fácil falar, mas pelo visto, por enquanto não tens outra saída... pensa que a família escolhe a gente mas a gente também escolhe a família, embora não lembre disso... eu penso que, em certos casos, seria melhor se lembrássemos...
Não consegues morara só? Caso negativo, vai construindo uma condição que te permita... nada paga a individualidade e o sossego da gente...

Nanna disse...

Pois é querida, concordo com a Ana, fica calma, sei que algumas coisas não passam ou se apagam, também não é obrigada a conviver com elas, quem sabe depois de mais uma visita a psicóloga vc não decide tomar o rumo da sua vida sozinha. Abreijos e muita luz pra vc.

Angela disse...

calma!!!amiga, a vida é assim mesmo, um dia as coisas vão bem, no outro nen tanto.....mas é com isso que aprendemos a viver!!!!...bjos...angela

Katia disse...

Querida Paty
Na vida não podemos escolher tudo o que queremos, mas podemos aprender a conviver com o que temos, se não há condição para melhorar tente viver a SUA vida, pense em você, cuide de você, o que os outros acham e pensam não pode interferir na sua vida. O convívio com a família às vezes é bom e às vezes é ruim, ignorar talvez seja a melhor saída no momento, talvez percebam o quanto você é importante no meio deles.
E o mais importante você já o faz: desabafar, isso já é um grande passo para você tomar uma atitude, porém não se precipite, tenha inteligência e clareza nas suas atitudes. Num dia a tempestade chega, escurece, uma noite de dor, sofrimento e choro, mas no amanhecer o sol brilha forte com o céu azul para nos iluminar.
Beijinhos
Kátia

Mone disse...

Paty,
Visito sempre seu blog e lhe admiro,vc é mt talentosa,criativa, inteligente....Use isso a seu favor,td q/vc fizer vise seus objetivos.Qudo somos humilhadas, faça c/essa humilhação sirva de incentivo p/vc melhorar se superar e mostrar a vc mesma q/vc é capaz de mudar sua própria história. Eu fiz isso c/a minha vida e cont. faz. qudo sinto necessidade, espero q ajude a vc superar essa fase q/nada mais é do q/uma fase. Um abs
www.agulhasmagicas.blogspot.com

Flávia disse...

Gosto muito do seu blog. Por isso gostaria que soubesse que te entendo e lhe desejo força. sucesso, paz e muito tempo para fazer as coisas que mais ama.
Abraço.
Flávia.

Fatto a mano disse...

Olá, sempre leio as suas idéias e desabafos, e creia ... as coisas podem mudar, a partir de você...tenha confiança sempre...beijocas doces, Célia.